quarta-feira, 18 de novembro de 2009

AHHHHHHHHHH!

Tento, tento e não saí nada. Acho até que estou virando um escritor melhorzinho, já que estou tendo até crise de "falta de criatividade". Sabe que quer escrever, mas não faz nem idéia do quê. "Ô Róli Chiti"!

Tenho estado tão cansado ultimamente. Tão cansado. Mas ao menos o cansaço é bom para sonhar: fico sonhando em ter tempo pra estudar (o que não tenho); fico sonhando em viajar para o Canadá; fico sonhando com uma vida amorosa descente; fico sonhando com tempo, em ter tempo para mim... Aí penso que semana que vem é semana de provas e fico maluco pensando no que tenho por fazer no estágio (além dos problemas burocráticos que me fazem arrancar os cabelos duros!)... Aí Deus, juro que eu só queria um tempinho pra viver...

Ando meio sem tempo pra tudo. Além das dores de cabeça (físicas e emocionais). E ainda por cima me sinto tão só, tão só...

Putz, melhor terminar por aqui.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

"Chegue bem perto de mim. Me olhe, me toque, me diga qualquer coisa. Ou não diga nada, mas chegue mais perto. Não seja idiota, não deixe isso se perder, virar poeira, virar nada."

- Caio F.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A crônica de uma noite crônica.

Não foi uma noite fácil. A princípio, tudo parecia bem, parecia ótimo, e por muito, assim continuou. Somente aquele friozinho chato na barriga, como já sentira outras vezes. Normal. Pisava com cautela em terras estrangeiras, em territórios inexplorados no coração. Um certo medo de se frustrar, algo assim. E essa mania chata de fantasiar coisas irreais, devaneios? Enquanto pegava o trem (que sonhava que fosse como os europeus), ainda estava incerto do destino, pensava em desistir, deixar pra lá. Mas nem se quisesse, poderia. Deveria, e até mesmo queria, ir até o fim. Que seja.

***

Pela janela imunda do trem, se vê a chuva começando a cair. Cair forte. Não chovia a dias, mas tinha que ser hoje? O tempo já prometia, nublado, a uns três dias. Tinha que ser. Mas foda-se. O calor dentro do trem já estava deixando zonzo. Odiava tudo aquilo: pessoas, lugar pequeno, sacolejar do vagão nos trilhos, as vozes irritantes, os gritos dos ambulantes, o ar já respirado... Estava quase desenvolvendo uma claustrofobia graças ao Metrô e lugares como aquele.

Viagem interminável. Embora fosse um trem “direto”, parava mais do que o trem normal. Tentava diminuir a irritação, enquanto pensava no que viria no resto da noite. Chegou, e chove. Muito!

***

Agora estava encharcado. Mas encharcado mesmo, da cabeça aos pés. Sua fantasia de príncipe encantado, vindo de um reino muito, muito distante, para visitar a princesa se desfez em questão de segundos. Tudo o que não podia molhar está na sua mochila: o livro (que era um presente) “Pra sempre teu, Caio F.”, um livro de Sartre, uma cópia do projeto de mestrado do seu professor, o Panda de pelúcia, etc. Não tinha 2 centímetros do corpo seco. Ônibus lotado, ainda por cima. Pessoas úmidas, molhadas, encharcadas. Calor. Ruas completamente alagadas. Vinte minutos pra chegar até a pracinha escura que precede o Teatro.

***

Olhava no espelho: estava imundo, suado, molhado, descabelado, fedorento. Tirava as duas blusas que vestia, enquanto pensava em como demorou pra escolher a droga da roupa pra essa noite, e agora ela estava assim, podre. Espremia as duas, até tirar todo o excesso de água (muita, muita água).

Olha no espelho novamente: ainda está horrível, mas menos molhado. Puta que pariu...

***

Entrava no Teatro quando, logo na entrada, vê uma figura de cabelo conhecido. Afagou a cabeça dela, subiu e se sentou. Ela o observou e seguia. Abraçava-a com carinho, úmido, mas com muito carinho. Ela comentou com um sorriso o estado dele, e nesse instante estava agradecendo a Deus por estar ali, com ela.

Aliás, ótimo espetáculo...

***

A chuva ainda caí, as ruas ainda alagadas, mas o pior ainda estava por vir: a escuridão. De repente, as luzes do teatro ficam em modo de emergência. Descobre-se que em toda a parte falta energia. E agora? Tão longe de casa, fudido.

Então estava com o grupo de amigos (dela). Todos juntos, pra evitar o perigo. Hobbes tem toda a razão: o Homem é o lobo do Homem. As pessoas não estavam preocupadas se a energia voltaria algum dia, quando voltaria, como iriam pra casa. Queria era chegar em casa, vivas, sãs e sem que tenham sido roubadas. Medo, medo que se instaura nos corações do Homem, medo do outro homem. Onde chegamos?

***

Vendo que já não valia a pena, estava decidido a partir. Meio "estranho no ninho", sabe? No íntimo, torcendo pra ir logo pra casa. Não por medo (do escuro ou dos “lobos”), mas com um insistente mal-estar. Um mal-estar que já sentira antes, numa ocasião parecida. Pena, que pena. Não deveria ser assim, mas era.

Despedida tranqüila. Nada demais, embora fantasiasse um pouco (até nisso). Depois corria, sem nem olhar pra trás. Gostava dela, gostava demais dela.

***

E o mundo se apagou. De verdade. Ao menos era o que parecia. Luzes aqui e ali, mas não havia luz, nem nos postes, nem nos semáforos. Pegava o ônibus e desejava chegar logo em casa. Fazia promessas tolas, pensando num futuro que não seria. Devaneios, mais deles. E o ônibus foi, em meio a trevas, com um feixe de luz em meio a escuridão...

***

Casa, finalmente casa. Abraçava o pai, dizendo que estava tudo bem. “Onde está a mãe?”. Nem mesmo havia terminado de trocar de roupa, quando, de cueca, ligava para sua amiga. Melhor amiga. Única, talvez.

Fora ela, essa conversa, que fez o seu dia terminar bem. Pois em meio a tristeza dos problemas do coração, havia as brincadeira. E melhor que isso, a chance de ser útil a alguém que ama tanto. Dizia a ela que tudo ia ficar bem, e acreditava nisso. Dizia-lhe que estaria sempre ali pra ela, pois de fato, jamais a deixaria. Faziam planos bobos, mas divertidos e que, se não virasse realidade, pelo menos tinha um sabor doce do sonho. “Que seja doce”.

***

E depois de comer um miojinho, em meio as trevas, dormia. Dormia pensando em tudo, e pensando em como a noite não foi fácil. Mas tudo bem, amanhã será um novo dia. E uma chance de fazer tudo diferente de novo, quem sabe. Não sei. Só sei que nunca mais pegaria uma chuva daqueles, mesmo que tivesse que ficar preso dentro de um quarto escuro (e coberto). E que a escuridão, embora apavorante a princípio, eram até reconfortante agora...

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

"(...) sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor? Pois se eu me comovia vendo você, pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo... Meu Deus, como você me doía de vez em quando! Eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno bem no meio duma praça, então, os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta, mas tanta coisa que eu vou ficar calado um tempo enorme só olhando você sem dizer nada, só olhando e pensando: "Meu Deus, mas como você me dói de vez em quando."

(Caio Fernando Abreu)
Eu faço Estágio Supervisionado I numa escolinha particular aqui perto de casa. Como estagiário I, minha tarefa é unicamente observação da dinâmica da sala de aula, e ajudar o professor supervisor quando solicitado. Embora estagiário, sou tratado pela direção e pelos alunos como professor, e gosto disso. Com o tempo fui me aproximando mais dos alunos e do supervisor, ao ponto dele me encarregar de tirar dúvidas dos alunos, e outras tarefas, que a princípio podem parecer bobas, mas que fazem a minha auto-estima grande diferença.

Tenho alunos da 6º ao 9º ano. Particularmente acho mais legal o trabalho com a turma do 9º, por ser uma galera mais velha, e de cabeça em formação. Mas em contradição, adorava as crianças do 6º ano. Mas amo a todos, de coração.

Eis que nesta quinta-feira, dia de estágio, quando vou pra escola, descubro que uma das alunas do 6º ano, Verônica, morreu nesta sexta-feira de aneurisma. Tinha 10 ou 11 anos. Era uma garotinha tímida, mas falava bastante com as amigas. Não tive muita oportunidade de me aproximar dela, mas nos tratávamos com respeito mútuo.

Hoje estou com uma dor estranha. Nem tinha tanta intimidade com ela, mas não sei explicar, só sei que esta dor existe e tá aqui, no peito. Essa dor de saber que na próxima quinta-feira, quando entrar naquela turma de 6º ano, estará faltando uma aluna. Não sei... Ah, essa dor estranha.

Onde estiver, Verônica, e se está em algum lugar, descanse em paz.

sábado, 31 de outubro de 2009

Moonlight Sonata..

O som do piano parece distante, mas ao mesmo tempo tão próximo. A harmonia, ritmo e sinfonia de Ludwig me assombram. A cada nota, sinto meu coração vibrar, aos poucos tomando a forma de uma sinfonia há tempos esquecida... Sim, a bela música faz-me perder-me em mim mesmo. Imóvel, contemplando as cenas de um passado esquecido, de um presente não vivido e de um futuro nebuloso, mas lindo. Ah, a música e seu som limpo e forte, doce, faz-me sentir ainda mais entorpecido em mim...

Toca a alma, profunda e delicadamente. Um toque quente, de conforto, de uma estranha paz, mas de uma escuridão estranha. De uma imprecisão terrível. Arrepio-me a elevação do ritmo. Arrepio-me ao perceber o que a música está a fazer... Esses toques tristes, profundos, essas levadas espontânea, de uma alegria súbita; Vejo seus olhos e sorrisos em meus devaneios... "Quem és, bela de meus sonhos?", pergunto num delírio. O silêncio e seu sorriso foram respostas, mais que suficientes.

O compasso diminui. O final se aproxima. E as notas tornam-se cada vez mais expressivas, mais profundas, mais delicadas. E causam de novo a estranheza da dor e o prazer... E Beethoven chora.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Falsa Moralidade

No último dia 22, numa faculdade de São Bernardo do Campo, uma jovem estudante de Turismo foi hostilizada por estar usando um vestido vermelho curtíssimo (microsaia, como chamam). Aos gritos de “Puta! Puta!”, a jovem teve de ser escoltada pela polícia para fora da faculdade, sob o risco de ser agredida pelos estudantes. Por estar usando um vestido curto.

Vídeo

Hipocrisia, falsa moralidade. Quando eu falo de tais temas, me refiro a fatos como este. Que absurdo é esse?! Hostilizar uma estudante por estar se vestindo de modo inadequado segundo os padrões sociais (sim, pois a faculdade não tem regras específicas quanto a isto) me deixa tão chocado quanto a centena de outros brasileiros de opinião similar a minha. É a este ponto que chegamos? Tanta coisa pelo que brigar, tanta coisa pelo que se mobilizar, e é por ISSO que os estudantes se unem? Se tais estudantes tivessem a mesma disposição pra lutar contra a corrupção de Brasília ou pra pressionar a saída de Sarney do Senado, o Brasil não seria esse poço de lama em que vivemos. E por mais que se evite a lama, você acaba se sujando, uma hora ou outra.

Estou assustado, de fato. Assustado pelo que vejo no meu país, e com medo do futuro. Hoje, especificamente, não sei se canto o Hino Nacional com o amor que deveria.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Frases..

"E de novo acredito que nada do que é importante, se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instântes, dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser para sempre." - Shopenhauer

"Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso." - Pessoa

"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo." - Lispector

"Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente." - Veríssimo

"Sofrer e chorar significa viver" - Dostoiévski

"Só podia encontrar a felicidade se conseguisse subverter o mundo para o fazer entrar no verdadeiro, no puro, no imutável." - Kafka

"A alma resiste muito mais facilmente às mais vivas dores do que à tristeza prolongada." - Rosseau

"Cada homem deve inventar o seu caminho." - Sartre

"Os homens nunca usaram totalmente os poderes que possuem para promover o bem, porque esperam que algum poder externo faça o trabalho pelo qual são responsáveis." - Dewey

"Pouca coisa é necessária para transformar inteiramente uma vida: amor no coração e sorriso nos lábios." - Luther King

Fantasia.

Não, já me cansa escrever sobre os dias cinzentos. Então o que faço? Espero a tormenta passar? Mas e se demorar?

Não. Se não tenho os dias de Sol, pelo menos os fantasio. Fantasia... Ah sim, doce fantasia. Fantasia alimenta a alma, dar aquela sensação de prazer tão intangível quando aquela de quando se come chocolate. Mas se não tomar cuidado, o gosto da fantasia pode ser amargo, então é importante sempre deixar claro que é o que é: fantasia.

Fantasio, sem hesitar, os dias de Sol. Não espero que se tornem reais, mas a fantasia me alimenta por hora. Pensar na felicidade, na alegria de viver. De como é acordar cada dia querendo viver; de como é viver sem a angústia de viver... Ah, a quanto tempo não sei o que é isso. A verdade, se é libertadora, também é angustiadora. Sim, pois a liberdade, as escolhas, a responsabilidade de ter que se tomar decisões importantes não só por você, mas pelos outros, isso sim é angustiante. A angústia faz parte da essência do ser, que cede a existência, quando o homem entende que é, que existe, antes de mais nada.

Lá vem a Filosofia outra vez. Desculpem, não consigo evitar. Maldito vício, maldita paixão arrebatadora, essa Filosofia. Um vício tão doce, tão especial, que me faz entender o mundo como nunca havia entendido, que me faz perceber que tudo é tão maior do que pensava e que ainda tenho tanto a aprender...

Ah, mas e os dias de Sol? Sim, os dias de Sol e felicidade. Amigos especiais, palavras de amor... pequenos sunshines que me lembram que há, sim, um Sol, imenso, lindo e revitalizador, atrás das nuvens cinzentas. Ah, sim. E um dia, baterão ventos tão fortes vindo do mar, que levaram estas nuvens, e poderei me banhar no Sol outra vez.

Num Sol que me trará, enfim, a alegria de viver.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009