sábado, 15 de maio de 2010

Era mais um dos meus sonhos bizarros.

Primeiro, a visão do meu quarto com as luzes apagadas. Depois, num piscar de olhos, podia ver flashs de luzes, som alto, pessoas felizes, bebida, uma festa. Mas para mim não estava legal, sei lá, não curtia. Um sentimento de vazio, ou algo assim.

Saí da festa. Me percebo em plena Av. Lobo Jr. Quando olho a redor, vejo uma garota se proximando. É Thay, e há muito tempo não a via. Ela abre um grande sorriso e me abraça, como lhe fosse a coisa mais importante naquele momento. Eu a abraçei de igual modo, estava feliz em vê-la de novo.

Andamos pelas ruas. Então, começa a chover e, apesar de chover pouco, a rua inunda até a altura dos joelhos. Antes disso, eu puxo Thay e a coloco em minha "carcunda", como se faz a um filho naquelas manhã ensolaradas de domingo na Quinta da Boa Vista. Ela sorri pra mim de novo e comenta algo bobo. Nós riamos, estavamos felizes. E continuei caminhando, com ela nas minhas costas, sobre toda a enchente e lama, e rindo de pequenas bobeiras da vida.

(Te amo, Thay!)

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Persistência e determinação

"Nada no mundo pode tomar o lugar da persistência.
Talento não o pode; nada é mais comum do que o insucesso de homens talentosos.
Gênio não o pode; genialidade não recompensada é quase um provérbio.
Educação não o pode; o mundo está cheio de delinqüentes educados.
Persistência e determinação sozinhas são onipotentes."

Israel Regardiê
"Às vezes me lembro dela. Sem rancor, sem saudade, sem tristeza. Sem nenhum sentimento especial a não ser a certeza de que, afinal, o tempo passou. Nunca mais a vi, depois que foi embora. Nunca nos escrevemos. Não havia mesmo o que dizer. Ou havia?"

Caio Fernando Abreu.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Yellow

Look at the stars,Olhe pras estrelas,
Look how they shine for you, Olhe como elas brilham por você,
And everything you do, E por tudo o que você faz,
Yeah, they were all yellow Sim, elas eram todas amarelas.


I came along,Eu progredi,
I wrote a song for you, Eu escrevi uma canção para você,
And all the things you do, E tudo que você faz,
And it was called Yellow E ela chamei de "amarela".


So then I took my turn,Então eu esperei minha vez,
Oh what a thing to have done, Oh que coisa para se fazer,
And it was all Yellow E era tudo amarelo.


Your skinSua pele,
Oh yeah, your skin and bones, Oh sim, sua pele e ossos,
Turn into something beautiful, Transformaram-se em algo bonito,
Do you know? Você sabe?
You know I love you so, Você sabe que eu te amo tanto,
You know I love you so Você sabe que eu te amo tanto.


I swam across,Eu atravessei o oceano,
I jumped across for you, Eu superei barreiras por você,
Oh what a thing to do Oh que coisa a se fazer,
'Cos you were all yellow, Pois você estava toda amarela.


I drew a line,Eu tracei uma linha, (estabeleci um limite)
I drew a line for you, Eu tracei a linha por você,
Oh what a thing to do, Oh que coisa a se fazer,
And it was all yellow E ela era toda amarela.


Your skin,Sua pele,
Oh yeah your skin and bones, Oh sim, sua pele e ossos,
Turn into something beautiful, Transformaram-se em algo bonito,
Do you know? Você sabe?
For you I'd bleed myself dry, Por você eu daria todo o meu sangue,
For you I'd bleed myself dry Por você eu daria todo o meu sangue.


It's true, look how they shine for you,É verdade, olhe como elas brilham para você
Look how they shine for you, Olhe como elas brilham para você
Look how they shine for... Olhe como elas brilham para...
Look how they shine for you, Olhe como elas brilham por você,
Look how they shine for you, Olhe como elas brilham por você,
Look how they shine... Olhe como elas brilham...


Look at the stars,Olhe para as estrelas,
Look how they shine for you, Olhe como elas brilham para você,
And all the things that you do E todas as coisas que você faz

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Dream.

Algo estava estranho, e se deu conta disso só quando olhou ao redor e percebeu que podia enxergar a apenas alguns metros a frente. As coisas estavam meio turvas, quase como mostram os sonhos dos personagens de uma novela. Era isso, então. Estava sonhando. Será?

Olhou ao redor e via casas normais. Caminhava pela rua, estava escuro (se era noite, não sabia, pois na via Lua alguma). Sentiu uma mão tocar seu ombro e ao se virar, ela estava ali, sorrindo pra ele. Observou-a atentamente, via sua camisa listrada, sua calça jeans, seu cabelo curto e preto e seu sorriso simpático. Se for um sonho, como podia lembrar-se dela em tantos detalhes? Não a via faz tanto tempo...

Ela se aproximou e lhe deu um abraço, ele não se opôs. Abraçou-a com ternura, com um sentimento estranho, como se sentisse falta de algo que não aconteceu. Ela sussurou no seu ouvido:

- Senti sua falta.

Ele fica quieto. Ela se afasta um pouco, lhe olha nos olhos e dá outro sorriso (como só ela consegue dá). Agora ela se aproxima e lhe dá um pequeno beijo nos lábios e diz, sorrindo: “Teremos nosso tempo”. Ela lhe dá a mão e o conduz pra sei-lá-onde.
Um sonho.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Castelo

Era um esforço descomunal, mas gratificante. Ao final de cada tarde, com o Sol indo embora para outro lugar por trás das montanhas, enquanto o céu tomava um tom de rubro e dourado, contemplava sua obra e sorria. Lá estava o seu trabalho, toda a materialização do seu esforço. O castelo que trabalhava arduamente para construir. Ainda estava em construção, mas a vontade de vê-lo pronto, a beleza de sua arquitetura e o melhor, ter um lugar só seu, tornavam seu trabalho ainda mais valoroso.


Entretanto, não foram só rosas. Certo dia, enquanto dormia e descansava para o dia seguinte de trabalho, ouviu o que seria o começo de uma tormenta. Não “uma tormenta”, mas sim “A Tormenta”. Os ventos fortes quebraram suas janelas e inundaram sua casa, mas ele não se importava. Preocupava-se apenas com seu castelo, com seu esforço, em sua construção. Esperou a tormenta acalmar um pouco e correu ainda de pijama para a construção. Ao chegar, depara-se com tudo arruinado. O trabalho de sua vida se perdera em meio a uma obra do acaso. Naquele dia, chorara em meio a lama e a tempestade, sem se preocupar. Chorara pela dor do esforço desperdiçado. Chora por tudo se perder.


Mas não desanimou, não senhor. Tornou a recomeçar a obra. Recolocou as primeiras bases, embora o terreno não mais o ajudasse. Talvez, nesse novo recomeço, estivesse se esforçando mais do que a primeira vez, por ter contemplado a perda. Lutou contra todas as possibilidades, nem dormia mais, apenas se dedicava de corpo, alma e mente aquela obra. Obra de sua vida e de seu espírito.


Mas certo dia, devido ao esforço, desmaiou. Talvez tivesse se passado, horas, dias, semanas, não sabia. Acordou e tivera mais um triste surpresa: tudo sumira. Sumira, sumira. Simplesmente desaparecera. Não havia nada que sugerisse que tinha uma obra acontecendo, ou que acontecera, naquele lugar. Tudo que havia era uma flor púrpura, um jacinto. A flor da mágoa. Entendeu então: nada daquilo não passava de um sonho, um lindo e sofrido sonho. Tudo pelo o que trabalhara, tudo pelo que lutou... Sua dor era forte demais, mesmo para ser descrita por esse pobre cronista. Uma dor indizível. Seu castelo se perdera, e tudo que restou fora a mágoa.


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Peço desculpa aos meus dois leitores por demorar tanto a retomar meus escritos. Na verdade, nem tinha prazo pra retornar, mas graças ao puxão de orelha da Arlene, tomei vergonha na cara. E foi numa conversa com ela que tive a idéia pra esse texto.


Obrigado a todos.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Restart the game, baby

Um novo ano começa. É hora de definir planos, correr atras e tomar um rumo (definitivo).
Tenta não estragar tudo dessa vez, Eduardo.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Adeus...

Entava estafado, definitivamente. Entendeu quando leu no seu subnick: "Nem a vida é para sempre. Mas o amor é". Ele acreditava nisso, e justamente por isso, precisava deixá-la onde pertencia, ou seja, no passado.
Enquanto clicava com o botão direito sobre ela e rumava para clicar na opção "excluir contato", fazia um retrospecto do que ela foi na sua vida, o que ela representou e o que representa. Sem dúvida, o amor que ele sentiu foi verdadeiro, ao ponto de ter momentos em que quis desistir de tudo para ficar pra sempre ao seu lado... Um sorriso amargo vem aos seus lábios quando pensa nesses sonhos bobos, mas que lhe pareceram maravilhosos quando os sonhava.

E o que ela representou? Tudo. Era em torno dela que vivi os meses mais felizes da minha vida, em uma realidade talvez incompreensível a maioria das pessoas. Mas foram felizes, muito felizes. Pensa que cresceu muito com ela, assim como a tenha ensinado algumas coisas sobre a vida também, embora não seje muito mais velho. Ela representou um futuro possível, uma realidade que jamais se concretizará. Representou um sonho de um dia poder finalmente ser feliz.

E o que representa? Hoje? Mais nada. Não sente raiva, mas também não sente amor. Não, não. Talvez no fundo, ainda haja um pouco de amor. Amor pelo que foi, e não pelo que é. Mas hoje, o que sente sobre ela é um profunda e triste indiferença. Indiferença, cruel até.

Com uma imensa vontade de chorar, em um choro que não vinha, e uma tristeza ainda crescente, que parecia como um buraco abrindo, mais e mais no seu coração, como que um grande e definitivo vazio, ele a exclui. Não só do MSN, mas de sua vida, de uma vez por todas. Jamais vai se esquecer daquela baiana que iluminou seus dias por quase um ano de um sonho de amor que, infelizmente, jamais iria se concretizar.

Sussura: "Adeus, meu amor."

sábado, 21 de novembro de 2009

Sob o Sol...

As nuvens cinzentas ainda passeavam pelo céu nublado quando, mesmo sob os gritos de protesto de seu pai, pegou o colchão velho que fora seu e, levando-o para fora, esticou-o no quintal e deitou-se sobre ele. Queria apenas estar confortável para observar o céu e suas nuvens cinzentas, e assim o fez. Devagarzinho, vai abrindo os olhos, já que seus olhos eram sensíveis a excesso de luz. Mas quando, ainda em meio as lágrimas que escorriam involuntariamente dos olhos, ele pode enfim observar o céu, senti um frescor percorre-lhe o corpo. A chuva começava então a cair sobre ele e seu colchão velho.

Ali ficou por alguns minutos. Encharcado, mas não ligava muito. Queria dizer que estava feliz, mas não sabia se era isso que sentia ali, naquele momento. Nunca tivera muita certeza das coisas (o que acreditava ser bom, pois certeza é verdade e pra ele a verdade sempre foi muito relativa). Era uma sensação estranha, mas sentia que, de algum modo, era boa. Algo como uma libertação, ou qualquer outra palavra que exprima o abandono de algo e o recomeço... O exato momento em que você podia dizer que recomeçara.

Sente as lágrimas escorrerem de seus olhos novamente. Não pela luz do céu, não, não mais por aquela luz. Mas por uma outra luz, e essa vinha de dentro. Uma chama de esperança... Enfim, não procurava explicação para o que sentia, apenas sentia. Queria sentir, queria viver cada segundo daquilo. As lágrimas se misturavam às gotas de chuva em sua face, escorriam, iam... Era, sim, uma libertação.

A chuva passa, e vem o frio. Levanta-se calmamente, ainda com as roupas pesadas. Recolhe o colchão (agora, ensopado), e se vira para observar o céu. As nuvens ainda estavam lá, embora pudesse perceber um Sol, ainda que fraco, lutando com as massas cinzentas para poder aparecer. Era uma visão bonita, quase que como se Deus estivesse abrindo um canal direto com a Terra. Nesse mesmo instante, sente uma brisa de vento, arrepiando-o todo. Observa a si mesmo: roupas pretas encharcadas, descalço, descabelado. Suas mãos tremem. Olha pra baixo e vê a si mesmo na poça de água...

Olha de novo para o céu e compreende. Sim, a vida é feita disso. Finalmente entendeu que era pra ser assim, as coisas são assim e de novo será. É um novo viver, uma nova dimensão da vida e do que é viver. Sabe que não será tão fácil, que oscilará, que chorará, que sofrerá... Mas segue ainda assim, porque enfim entende que a vida é feita disso. E a cada obstáculo que supera, é uma lição aprendida e uma nova oportunidade de fazer certo.

Não pôde conter as lágrimas quando, após pensar em tudo isso, o Sol surgiu finalmente...

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Buzz..

O calor é quase insuportável no Rio de Janeiro esses dias. A manhã tinha sido normal em mais um dia de estágio na escola e estava tudo bem. Ao chegar em casa, por volta de 14h, descobre que a carta de seu amigo havia finalmente chegado. Sobe e não espera nem trocar de roupa: abre o envelope. Relê a xerox da carta que enviou, mais pra relembrar o que disse mesmo. Então pega a do seu amigo e lê. Carta bonita, simples, com palavras reconfortantes. Guarda-a com carinho na gaveta de sua mesa para respondê-la mais tarde.

O calor continua, resolve ir para o quarto. Humm... Não sabe ao certo, mas ao o incomoda. São 16h e, mesmo sabendo que a noite teria aula da disciplina mais insuportável do semestre, torce pra dá logo a hora de ir pra faculdade. Algo o incomoda. Uma inquietude se abate de repente. Anda de um lado para o outro no quarto, sem saber o que fazer, o que sentir. Mexe em uns livros, escuta algumas músicas... É, estranho... Tá faltando algo.

Então escreve, escreve porque lhe pediram pra escrever. Como terminará o dia? Vejamos...

***

Quatro horas mais tarde. É, a noite terminou bem melhor do que esperava. Em meio a fala enfadonha do professor, aquela troca de olhares, sorrisos cínicos e, finalmente, uma troca de bilhetinhos. Mensagens sublinares a parte, sabe o que virá depois, e gosta disso. Vai pra casa sorrindo... É, a noite terminou bem.

Ponto pra Arlene. xD

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

AHHHHHHHHHH!

Tento, tento e não saí nada. Acho até que estou virando um escritor melhorzinho, já que estou tendo até crise de "falta de criatividade". Sabe que quer escrever, mas não faz nem idéia do quê. "Ô Róli Chiti"!

Tenho estado tão cansado ultimamente. Tão cansado. Mas ao menos o cansaço é bom para sonhar: fico sonhando em ter tempo pra estudar (o que não tenho); fico sonhando em viajar para o Canadá; fico sonhando com uma vida amorosa descente; fico sonhando com tempo, em ter tempo para mim... Aí penso que semana que vem é semana de provas e fico maluco pensando no que tenho por fazer no estágio (além dos problemas burocráticos que me fazem arrancar os cabelos duros!)... Aí Deus, juro que eu só queria um tempinho pra viver...

Ando meio sem tempo pra tudo. Além das dores de cabeça (físicas e emocionais). E ainda por cima me sinto tão só, tão só...

Putz, melhor terminar por aqui.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

"Chegue bem perto de mim. Me olhe, me toque, me diga qualquer coisa. Ou não diga nada, mas chegue mais perto. Não seja idiota, não deixe isso se perder, virar poeira, virar nada."

- Caio F.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A crônica de uma noite crônica.

Não foi uma noite fácil. A princípio, tudo parecia bem, parecia ótimo, e por muito, assim continuou. Somente aquele friozinho chato na barriga, como já sentira outras vezes. Normal. Pisava com cautela em terras estrangeiras, em territórios inexplorados no coração. Um certo medo de se frustrar, algo assim. E essa mania chata de fantasiar coisas irreais, devaneios? Enquanto pegava o trem (que sonhava que fosse como os europeus), ainda estava incerto do destino, pensava em desistir, deixar pra lá. Mas nem se quisesse, poderia. Deveria, e até mesmo queria, ir até o fim. Que seja.

***

Pela janela imunda do trem, se vê a chuva começando a cair. Cair forte. Não chovia a dias, mas tinha que ser hoje? O tempo já prometia, nublado, a uns três dias. Tinha que ser. Mas foda-se. O calor dentro do trem já estava deixando zonzo. Odiava tudo aquilo: pessoas, lugar pequeno, sacolejar do vagão nos trilhos, as vozes irritantes, os gritos dos ambulantes, o ar já respirado... Estava quase desenvolvendo uma claustrofobia graças ao Metrô e lugares como aquele.

Viagem interminável. Embora fosse um trem “direto”, parava mais do que o trem normal. Tentava diminuir a irritação, enquanto pensava no que viria no resto da noite. Chegou, e chove. Muito!

***

Agora estava encharcado. Mas encharcado mesmo, da cabeça aos pés. Sua fantasia de príncipe encantado, vindo de um reino muito, muito distante, para visitar a princesa se desfez em questão de segundos. Tudo o que não podia molhar está na sua mochila: o livro (que era um presente) “Pra sempre teu, Caio F.”, um livro de Sartre, uma cópia do projeto de mestrado do seu professor, o Panda de pelúcia, etc. Não tinha 2 centímetros do corpo seco. Ônibus lotado, ainda por cima. Pessoas úmidas, molhadas, encharcadas. Calor. Ruas completamente alagadas. Vinte minutos pra chegar até a pracinha escura que precede o Teatro.

***

Olhava no espelho: estava imundo, suado, molhado, descabelado, fedorento. Tirava as duas blusas que vestia, enquanto pensava em como demorou pra escolher a droga da roupa pra essa noite, e agora ela estava assim, podre. Espremia as duas, até tirar todo o excesso de água (muita, muita água).

Olha no espelho novamente: ainda está horrível, mas menos molhado. Puta que pariu...

***

Entrava no Teatro quando, logo na entrada, vê uma figura de cabelo conhecido. Afagou a cabeça dela, subiu e se sentou. Ela o observou e seguia. Abraçava-a com carinho, úmido, mas com muito carinho. Ela comentou com um sorriso o estado dele, e nesse instante estava agradecendo a Deus por estar ali, com ela.

Aliás, ótimo espetáculo...

***

A chuva ainda caí, as ruas ainda alagadas, mas o pior ainda estava por vir: a escuridão. De repente, as luzes do teatro ficam em modo de emergência. Descobre-se que em toda a parte falta energia. E agora? Tão longe de casa, fudido.

Então estava com o grupo de amigos (dela). Todos juntos, pra evitar o perigo. Hobbes tem toda a razão: o Homem é o lobo do Homem. As pessoas não estavam preocupadas se a energia voltaria algum dia, quando voltaria, como iriam pra casa. Queria era chegar em casa, vivas, sãs e sem que tenham sido roubadas. Medo, medo que se instaura nos corações do Homem, medo do outro homem. Onde chegamos?

***

Vendo que já não valia a pena, estava decidido a partir. Meio "estranho no ninho", sabe? No íntimo, torcendo pra ir logo pra casa. Não por medo (do escuro ou dos “lobos”), mas com um insistente mal-estar. Um mal-estar que já sentira antes, numa ocasião parecida. Pena, que pena. Não deveria ser assim, mas era.

Despedida tranqüila. Nada demais, embora fantasiasse um pouco (até nisso). Depois corria, sem nem olhar pra trás. Gostava dela, gostava demais dela.

***

E o mundo se apagou. De verdade. Ao menos era o que parecia. Luzes aqui e ali, mas não havia luz, nem nos postes, nem nos semáforos. Pegava o ônibus e desejava chegar logo em casa. Fazia promessas tolas, pensando num futuro que não seria. Devaneios, mais deles. E o ônibus foi, em meio a trevas, com um feixe de luz em meio a escuridão...

***

Casa, finalmente casa. Abraçava o pai, dizendo que estava tudo bem. “Onde está a mãe?”. Nem mesmo havia terminado de trocar de roupa, quando, de cueca, ligava para sua amiga. Melhor amiga. Única, talvez.

Fora ela, essa conversa, que fez o seu dia terminar bem. Pois em meio a tristeza dos problemas do coração, havia as brincadeira. E melhor que isso, a chance de ser útil a alguém que ama tanto. Dizia a ela que tudo ia ficar bem, e acreditava nisso. Dizia-lhe que estaria sempre ali pra ela, pois de fato, jamais a deixaria. Faziam planos bobos, mas divertidos e que, se não virasse realidade, pelo menos tinha um sabor doce do sonho. “Que seja doce”.

***

E depois de comer um miojinho, em meio as trevas, dormia. Dormia pensando em tudo, e pensando em como a noite não foi fácil. Mas tudo bem, amanhã será um novo dia. E uma chance de fazer tudo diferente de novo, quem sabe. Não sei. Só sei que nunca mais pegaria uma chuva daqueles, mesmo que tivesse que ficar preso dentro de um quarto escuro (e coberto). E que a escuridão, embora apavorante a princípio, eram até reconfortante agora...

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

"(...) sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor? Pois se eu me comovia vendo você, pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo... Meu Deus, como você me doía de vez em quando! Eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno bem no meio duma praça, então, os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta, mas tanta coisa que eu vou ficar calado um tempo enorme só olhando você sem dizer nada, só olhando e pensando: "Meu Deus, mas como você me dói de vez em quando."

(Caio Fernando Abreu)
Eu faço Estágio Supervisionado I numa escolinha particular aqui perto de casa. Como estagiário I, minha tarefa é unicamente observação da dinâmica da sala de aula, e ajudar o professor supervisor quando solicitado. Embora estagiário, sou tratado pela direção e pelos alunos como professor, e gosto disso. Com o tempo fui me aproximando mais dos alunos e do supervisor, ao ponto dele me encarregar de tirar dúvidas dos alunos, e outras tarefas, que a princípio podem parecer bobas, mas que fazem a minha auto-estima grande diferença.

Tenho alunos da 6º ao 9º ano. Particularmente acho mais legal o trabalho com a turma do 9º, por ser uma galera mais velha, e de cabeça em formação. Mas em contradição, adorava as crianças do 6º ano. Mas amo a todos, de coração.

Eis que nesta quinta-feira, dia de estágio, quando vou pra escola, descubro que uma das alunas do 6º ano, Verônica, morreu nesta sexta-feira de aneurisma. Tinha 10 ou 11 anos. Era uma garotinha tímida, mas falava bastante com as amigas. Não tive muita oportunidade de me aproximar dela, mas nos tratávamos com respeito mútuo.

Hoje estou com uma dor estranha. Nem tinha tanta intimidade com ela, mas não sei explicar, só sei que esta dor existe e tá aqui, no peito. Essa dor de saber que na próxima quinta-feira, quando entrar naquela turma de 6º ano, estará faltando uma aluna. Não sei... Ah, essa dor estranha.

Onde estiver, Verônica, e se está em algum lugar, descanse em paz.

sábado, 31 de outubro de 2009

Moonlight Sonata..

O som do piano parece distante, mas ao mesmo tempo tão próximo. A harmonia, ritmo e sinfonia de Ludwig me assombram. A cada nota, sinto meu coração vibrar, aos poucos tomando a forma de uma sinfonia há tempos esquecida... Sim, a bela música faz-me perder-me em mim mesmo. Imóvel, contemplando as cenas de um passado esquecido, de um presente não vivido e de um futuro nebuloso, mas lindo. Ah, a música e seu som limpo e forte, doce, faz-me sentir ainda mais entorpecido em mim...

Toca a alma, profunda e delicadamente. Um toque quente, de conforto, de uma estranha paz, mas de uma escuridão estranha. De uma imprecisão terrível. Arrepio-me a elevação do ritmo. Arrepio-me ao perceber o que a música está a fazer... Esses toques tristes, profundos, essas levadas espontânea, de uma alegria súbita; Vejo seus olhos e sorrisos em meus devaneios... "Quem és, bela de meus sonhos?", pergunto num delírio. O silêncio e seu sorriso foram respostas, mais que suficientes.

O compasso diminui. O final se aproxima. E as notas tornam-se cada vez mais expressivas, mais profundas, mais delicadas. E causam de novo a estranheza da dor e o prazer... E Beethoven chora.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Falsa Moralidade

No último dia 22, numa faculdade de São Bernardo do Campo, uma jovem estudante de Turismo foi hostilizada por estar usando um vestido vermelho curtíssimo (microsaia, como chamam). Aos gritos de “Puta! Puta!”, a jovem teve de ser escoltada pela polícia para fora da faculdade, sob o risco de ser agredida pelos estudantes. Por estar usando um vestido curto.

Vídeo

Hipocrisia, falsa moralidade. Quando eu falo de tais temas, me refiro a fatos como este. Que absurdo é esse?! Hostilizar uma estudante por estar se vestindo de modo inadequado segundo os padrões sociais (sim, pois a faculdade não tem regras específicas quanto a isto) me deixa tão chocado quanto a centena de outros brasileiros de opinião similar a minha. É a este ponto que chegamos? Tanta coisa pelo que brigar, tanta coisa pelo que se mobilizar, e é por ISSO que os estudantes se unem? Se tais estudantes tivessem a mesma disposição pra lutar contra a corrupção de Brasília ou pra pressionar a saída de Sarney do Senado, o Brasil não seria esse poço de lama em que vivemos. E por mais que se evite a lama, você acaba se sujando, uma hora ou outra.

Estou assustado, de fato. Assustado pelo que vejo no meu país, e com medo do futuro. Hoje, especificamente, não sei se canto o Hino Nacional com o amor que deveria.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Frases..

"E de novo acredito que nada do que é importante, se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instântes, dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser para sempre." - Shopenhauer

"Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso." - Pessoa

"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo." - Lispector

"Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente." - Veríssimo

"Sofrer e chorar significa viver" - Dostoiévski

"Só podia encontrar a felicidade se conseguisse subverter o mundo para o fazer entrar no verdadeiro, no puro, no imutável." - Kafka

"A alma resiste muito mais facilmente às mais vivas dores do que à tristeza prolongada." - Rosseau

"Cada homem deve inventar o seu caminho." - Sartre

"Os homens nunca usaram totalmente os poderes que possuem para promover o bem, porque esperam que algum poder externo faça o trabalho pelo qual são responsáveis." - Dewey

"Pouca coisa é necessária para transformar inteiramente uma vida: amor no coração e sorriso nos lábios." - Luther King

Fantasia.

Não, já me cansa escrever sobre os dias cinzentos. Então o que faço? Espero a tormenta passar? Mas e se demorar?

Não. Se não tenho os dias de Sol, pelo menos os fantasio. Fantasia... Ah sim, doce fantasia. Fantasia alimenta a alma, dar aquela sensação de prazer tão intangível quando aquela de quando se come chocolate. Mas se não tomar cuidado, o gosto da fantasia pode ser amargo, então é importante sempre deixar claro que é o que é: fantasia.

Fantasio, sem hesitar, os dias de Sol. Não espero que se tornem reais, mas a fantasia me alimenta por hora. Pensar na felicidade, na alegria de viver. De como é acordar cada dia querendo viver; de como é viver sem a angústia de viver... Ah, a quanto tempo não sei o que é isso. A verdade, se é libertadora, também é angustiadora. Sim, pois a liberdade, as escolhas, a responsabilidade de ter que se tomar decisões importantes não só por você, mas pelos outros, isso sim é angustiante. A angústia faz parte da essência do ser, que cede a existência, quando o homem entende que é, que existe, antes de mais nada.

Lá vem a Filosofia outra vez. Desculpem, não consigo evitar. Maldito vício, maldita paixão arrebatadora, essa Filosofia. Um vício tão doce, tão especial, que me faz entender o mundo como nunca havia entendido, que me faz perceber que tudo é tão maior do que pensava e que ainda tenho tanto a aprender...

Ah, mas e os dias de Sol? Sim, os dias de Sol e felicidade. Amigos especiais, palavras de amor... pequenos sunshines que me lembram que há, sim, um Sol, imenso, lindo e revitalizador, atrás das nuvens cinzentas. Ah, sim. E um dia, baterão ventos tão fortes vindo do mar, que levaram estas nuvens, e poderei me banhar no Sol outra vez.

Num Sol que me trará, enfim, a alegria de viver.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009